Este trabalho propõe analisar as relações interétnicas históricas dos povos indígenas isolados e de recente contato, tendo em vista a atual política indigenista brasileira. Embasado nas teorias de formação de identidade étnica e de encontro de culturas, verifica-se que nenhuma cultura é isenta de influências externas e nenhum grupo étnico tem formação puramente endógena. Enquanto uma cultura se estabelece mediante conceitos e práticas desenvolvidos internamente e acrescidos de assimilações exógenas, a identidade étnica é definida pela absorção do plausível e a rejeição do inaceitável. Analisando as políticas públicas que norteiam as ações governamentais junto às populações indígenas, percebe-se uma orientação com tendências ideológicas, quase sempre, em detrimento dos interesses e dos direitos dos envolvidos. Assim, mediante pesquisa de revisão bibliográfica, foi possível perceber a existência de relacionamentos interétnicos no Brasil, mesmo antes da chegada dos portugueses ao país. No contato com a sociedade envolvente, observa-se que, quando ocorridos de forma espontânea, os resultados foram traumáticos, mas a partir da criação do órgão tutelar indígena em 1910 e a efetivação de contatos programados, juntamente com a ação das entidades civis e religiosas, o saldo se tornou positivo. Mesmo assim, a política indigenista brasileira atual prega o isolamento étnico como fator politicamente correto. Porém, considerando a questão fundiária e os movimentos de expansão territorial, conclui-se que essa teoria não se sustenta. Assim, sugiro que seja estudada uma significativa mudança nessa política, para que os direitos e a dignidade dos povos indígenas isolados e de recente contato sejam respeitados.

Onesimo Martins de Castro

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