O objetivo deste trabalho é discutir formas e estratégias pelas quais a ideologia se apresenta nas concepções relativas ao ensino de línguas. É possível afirmar que as formas de pensar o ensino de línguas estão arraigadas em diversas concepções, destacando-se aquelas que consideram o ensino e a aprendizagem como atrelados a noções como: (i) ensinar uma língua é ensinar a forma, de modo a descrever o funcionamento de elementos gramaticais; (ii) ensinar a ler e escrever pressupõe levar o indivíduo a codificar e a decodificar estruturas imanentes ao próprio sistema; (iii) aprender uma língua requer o domínio dos subsistemas fonético-fonológico, lexical, morfológico e sintático, o que pressupõe a existência de um sistema homogêneo ou monolítico; (iv) ensinar/ aprender uma língua requer uma concepção de que esta constitui um espaço social e cultural por meio do qual as interações acontecem e a encara como uma entidade discursivo-interacional, veiculadora de uma multiplicidade de enunciações, tributárias de contextos históricos. Tomo como referencial as postulações de Eni Puccinelli Orlandi (2004), Luiz Antônio Marcuschi (2007, 2008), Ingo Voese (2004), Adilson Citelli (1995, 1997) Georg Lukács (1986), Mikhail Bakhtin (1981, 2006, 2010), nos quais me ancoro para dizer que o ensino de línguas se fundamenta em concepções diversas, com desdobramentos também históricos, verificando-se posturas ligadas a paradigmas tradicionais e à reprodução de sentidos associados a noções estáticas e obsoletas. O corpus é constituído de um conjunto de relatórios do estágio supervisionado do curso de letras do Instituto de Ciências da Educação – UFOPA1. As análises evidenciam a presença dos mencionados paradigmas, requerendo uma mudança epistemológica no ensino de línguas na educação básica. 

Heliud Luis Maia Moura 

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