A cidade, palco para os poetas modernos, configura-se como matéria-prima para a criação da poesia modernista. É o que Ferreira Gullar (1989) em seu texto Poesia e realidade contemporânea, através de uma análise crítica, explica o modernismo sob um viés da lírica urbana. O texto trata, assim como o próprio título explicita, a realidade em que se sustenta o homem e sua arte. Nesse sentido, o autor traz à tona um mundo pouco mitológico, banal e delirante: a cidade.

Assim como Malcolm Bradbury (1989), em As cidades do modernismo, o autor apresenta aspectos de uma literatura que nasce na urbe, que antes abominada pela tradição da mitologia e teologia apresenta-se influenciada pelas transformações da sociedade tecnológica. Em Les fleur de mal, de Baudelaire está ancorado o nascimento duma poesia que evoca a estranheza, a extravagância, o satanismo. Por outro lado, essa manifestação artística, em que se inserem os poetas malditos, em nada se assemelha aos poemas tradicionais do belo discurso literário de Homero e Dante, um povoado de boas ações de deuses e homens, outro com o criticismo ao passado. O que é certo é que o desenvolvimento das cidades levou o homem moderno a tentar explicar-se através da vida social e do seu inconsciente.“A cidade se tornou cultura”, já dizia Bradbury (1989, p. 04), ela é o habitat do poeta e suas urbanas escrituras. O fato é que, elementos como a fixação em objetos despercebidos e imaginados–e aqui, a imaginação ganha força na poesia moderna-moldam esse fenômeno artístico que nasce do concreto e dos aglomerados de gente. Tudo é multitude e solitude gerados …

Dayse Rodrigues Santos e Gleid Ângela dos Anjos Costa

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