Este artigo apresenta um recorte de uma tese que discutiu práticas de linguagem cotidianas dos habitantes de Alter do Chão, uma vila balneária localizada no oeste do estado do Pará, Brasil. No presente trabalho, focamos o modo como a língua inglesa é usada e apropriada pelas participantes na pequena vila turística, cenário essencialmente multilíngue e multicultural, mas onde a língua portuguesa mantém o status de língua oficial. Situado na área de Linguística Aplicada, este estudo mostra, a partir da etnografia, como quatro participantes se constituem através de falas localmente situadas em relação às suas interações multilíngues, negociando a comunicação e construindo significados situados em comunicações específicas e emergenciais. A análise dos dados, gerados principalmente pela observação participante, entrevistas e conversas informais, aponta para o modo como as participantes usam todos os seus recursos linguísticos e semióticos para manter uma comunicação efetiva, mesclando línguas e evidenciando criatividade, crítica e protagonismo. 

Maria Inêz Probst Lucena

Silvia Cristina Barros de Souza Hall